A cultura do fumo está enraizada econômica e socialmente no Rio Grande do Sul há mais de um século. São famílias inteiras, 92 mil no RS, totalizando 185 mil nos três estados do Sul, que sabem muito bem produzir fumo e dele historicamente vem tirando o seu sustento, gerando o seu progresso econômico e sendo base de sustentação de centenas de municípios, cuja economia depende quase exclusivamente desta produção.
A fumicultura tem uma característica toda especial por ocupar propriedades pequenas, em média 17 hectares, sendo apenas 2,5 hectares cultivados com fumo e, mesmo assim, utiliza um grande contingente de mão-de-obra, em média três pessoas. Nenhuma outra cultura tradicional se adaptaria a esse tamanho de propriedade gerando igual volume de empregos e renda.
Há anos estamos desafiando governos, universidades, ONGs e a quem mais interessar, que apresentem alternativas de produção. Muitos têm questionado porque não plantar hortigrangeiros, fruticultura, alho, pepino, alcachofra, amora, biodiesel, etc., etc,
Todas as iniciativas têm esbarrado num ponto: Vender para quem? E a que preço? Não temos estabilidade de preços, aliás, a agricultura é o único setor da economia brasileira e mundial onde os especuladores conseguem, numa mesma safra, manipular cotações para cima ou para baixo ao seu bel prazer, com variações que muitas vezes ultrapassam os 50%.
Para complicar ainda mais o quadro a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), patrocinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), vem, nos últimos anos, intensificando os ataques à cultura e o tiro de misericórdia está nas duas consultas públicas 112 e 117 que, se implementadas, vão inviabilizar muitos produtores, especialmente os que produzem o fumo tipo galpão. Também favorecerão o contrabando de cigarros que hoje está em 30%, desetruturando o setor como um todo.
Para fazer o contraponto, o setor fumageiro está se unificando, produtores, indústrias, trabalhadores, transportadores, associações, sindicatos, prefeitos e legislativos, estão num grande movimento para pressionar governos e, especialmente, a Anvisa, para que enfie estas consultas públicas na última gaveta e deixe o setor produzir. Afinal, somos o segundo maior produtor mundial e o maior exportador de fumo, destinando para o mercado externo 86% do todo o fumo produzindo no Brasil.
Antes de qualquer medida restritiva à produção de fumo, que apresentem alternativas viáveis econômica e socialmente para as nossas famílias, afinal ninguém planta
fumo por esporte. Abaixo as consultas públicas 112 e 117 da Anvisa!
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