Algumas questões que são divulgadas aos quatro ventos beiram no mínimo o ridículo, para não dizer coisa pior. Há algumas semanas uma consultora francesa de tenra idade divulgou um estudo responsabilizando a agricultura e a pecuária pela emissão de gases que causam o efeito estufa.
Segundo esta brilhante pesquisadora, no Rio Grande do Sul 67,7% da emissão de gases são de responsabilidade do setor agropecuário, assim distribuídos: 34,3% para a agricultura e 33,4% para a criação de gado.
A poluição seria causada pelo gás metano gerado durante o processo de fermentação dos alimentos no bucho dos animais e, no caso das lavouras, especialmente quando ocorre a lavração da terra.
Já não chega toda a perseguição ao setor agropecuário agora mais esta, nossas vaquinhas vão acabar com o planeta. E olha que no Rio Grande do Sul temos um rebanho de aproximadamente 13 milhões de cabeças.
Os dados apresentados são no mínimo questionáveis, porque é no meio rural que estão as florestas e as próprias plantações que fazem fotossíntese, que transformam gás carbônico em oxigênio. Com relação à agricultura, nosso estado há anos adota o plantio direto que muito pouco revolve o solo, e as queimadas estão proibidas e raramente ocorrem. Então, de onde vem toda esta poluição atribuída aos agricultores?
Somos um estado produtor e exportador de alimentos e esta é uma das nossas principais vocações e fortalezas. A quem interessa este tipo de estudo patrocinado por entidades europeias?
Será que não servirá para, no futuro, tentar barrar o ingresso dos nossos produtos agrícolas em outros mercados consumidores, a exemplo do que está ocorrendo com a proibição das exportações da carne de suínos?
Os países europeus e os próprios Estados Unidos são os primeiros a terem uma legislação ambiental muito mais frouxa que a nossa. Lá não existe exigência de reserva legal, de metragem disso, metragem daquilo, os Estados Unidos sequer assinaram o protocolo de Kioto, mas a conta sobra para nós. Sem falar que esses países protegem os seus agricultores e seus mercados, inclusive com pesados subsídios, pois sabem que a agricultura é estratégica e que, sem alimentos, uma nação forte se torna escrava correndo o risco de desaparecer.
Por isso tudo questionamos e nos indignamos com este tipo de estudo, que em nada vem a contribuir com o nosso desenvolvimento, até porque ninguém vai abrir mão de seus rebanhos em prol deste tipo de estudo, pelo contrário, os agricultores cada vez mais investem em novas tecnologias, investem em processos que causem o menor impacto possível ao ambiente onde vivem, porque sabem que dependem dele para continuidade de suas famílias.
Ou apoiamos nossa agricultura ou as cidades que se preparem para continuar absorvendo centenas de pessoas que todos os dias deixam o meio rural e para pagar cada vez mais caro pelo alimento que chega à mesa, pois pelo conjunto de taxações, exigências, cadastros e mais cadastros, está ficando cada vez mais difícil se manter naquele que é o ofício mais importante em toda a história da humanidade. O ofício de agricultores, que produzem alimentos.
Agora só falta o governo querer implementar a inspeção veicular também no interior das propriedades rurais, não só nos automóveis, mas também nas coitadas das vaquinhas. Vão querer medir a emissão de gases e, se estiver fora de padrão, a multa pega. Resta saber o valor da taxa de inspeção não veicular, mas vacular. Era só o que me faltava!
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