Um fator que sempre me causou estranheza foram os constantes prejuízos apresentados pelas operadoras de pedágio. Em 2005 solicitei estudos para diversos órgãos sobre em que circunstâncias esses prejuízos efetivamente ocorriam; afinal, até hoje não conheci nenhum empresário, em nenhum setor da economia, que com os seus próprios recursos continuasse trabalhando por mais de década tendo prejuízo ano após ano. Não existe nenhuma explicação econômica para essa situação, as pessoas vão à falência, é simples assim. Mesmo na agricultura, que é um setor que vive com margens de lucro extremamente apertadas, se em alguns anos não sobrar renda o agricultor acaba por abandonar a sua atividade, até porque ele tem contas a pagar.
Portanto, mais de dez anos de prejuízos ininterruptos é difícil de acreditar. É surpreendente também o volume do prejuízo apresentado neste período, que segundo divulgado pelas próprias empresas de pedágio varia de R$ 1,25 bilhão a R$ 1,7 bilhão. Considerando-se que o custo médio de 1 quilômetro de asfalto calculado pelo Daer é de R$ 1 milhão, com o alegado prejuízo que as empresas tentam cobrar do Estado daria para construir 1,7 mil quilômetros de asfalto novo. Ou seja, o suficiente para duplicar praticamente toda a extensão da rodovia concedida. E os valores arrecadados dos motoristas, que toda vez que utilizam as rodovias são obrigados a pagar o pedágio?
É imperativo que o Estado, por meio de sua agência reguladora e da Procuradoria Geral, faça uma análise aprofundada destas contas, levando em consideração a situação em se encontram as estradas concedidas, que em boa parte dos trechos estão em situação deplorável, mais parecendo uma colcha de retalhos. Para que no futuro a sociedade gaúcha não seja condenada pela Justiça a pagar esta conta fantasiosa e irreal.
Agora, engolir que estas mesmas empresas, que alegam prejuízos bilionários, queiram continuar operando as praças de pedágio por mais dez anos e ainda reduzir o valor do pedágio para R$ 4,40, duplicar rodovias, pavimentar acostamentos, fazer rótulas e ainda desativar algumas praças de pedágio, é simplesmente impossível!
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