Deputado Estadual Heitor Schuch - PSB RS

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Trigo: Especulação à vista

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É no mínimo brincar com a inteligência dos brasileiros a ameaça do cartel moageiro de elevar o preço dos derivados do trigo como pães e biscoitos em até 12%, usando como argumento a retaliação brasileira a ser aplicada aos Estados Unidos, pelos subsídios concedidos aos seus produtores.


O Brasil deve consumir em 2010 cerca de 10 milhões de toneladas de trigo, sendo que mais da metade provem da agricultura brasileira.  Cabe ressaltar que o Brasil já foi autosuficiente na produção de trigo e só perdeu esta condição pela falta de investimentos na produção e pela disposição do setor moageiro de importar trigo de terceiros países, pagando valores superiores aos pagos no mercado interno.  Do volume importado a maioria é proveniente dos países do Mercosul, sendo que no ano passado foram adquiridas dos Estados Unidos apenas 300 mil toneladas de trigo, ou seja, 3% do nosso consumo total.

O que está previsto é uma elevação de 10% para 30% no imposto apenas sobre o trigo norte-americano. Portanto, convenhamos, qualquer pessoa, por mais leiga e desatenta que seja, percebe que é falsa e terrorista, parafraseando o Ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, a justificativa para aumentar o preço da farinha.  Além do que a farinha tem uma participação de aproximadamente 50% no preço final do pão.


Quero agregar mais alguns fatos para contestar o cartel moageiro: em 2007 o preço da tonelada de trigo importado estava em R$ 640,00. Hoje, passados mais de dois anos, este mesmo trigo está sendo importado por R$ 504,00 a tonelada.  Algum consumidor viu o pão e demais derivados baixar de preço nesse período? Por outro lado os triticultores brasileiros atravessam imensa dificuldade, vendendo a sua produção a R$ 416,00 a tonelada, valor inferior ao do cereal importado.

Atualmente, cinco grandes grupos detêm mais de 50% do mercado do trigo, como a Bunge (dona das marcas Serrana, Manah, Iap, Ouro Verde, Salada, Soya, Cyclus, Delicia, Primor e Bunge Pró), a. A J. Macedo (proprietária das marcas Dona Benta, Sol, Tetybon, Brondini, Veneranda, Boa Sorte, Favorita, Jauense, Flor, Lili, Madremassas, Hit, entre outras), além das moageiras Água Branca, Globo e LCA.


Cabe ressaltar que este grupo de moinho vem sendo investigado pelo Cade, por formação de cartel, desde 2000, sendo constantemente denunciado por manipulações de preços.


Por outro lado quero enfatizar a contradição de boa parte dos setores empresarias que sempre criticaram o protecionismo imposto pelos países desenvolvidos.  Quando a Organização Mundial do Comercio - OMC reconhece o direito do Brasil de impor sanções os mesmos passam a contestar a ameaçar os consumidores com aumentos estratosfericos.  Alguma coisa esta muito errada.


Por fim está mais do que na hora de o Brasil voltar a investir na produção interna de trigo. Temos todas as condições de num curto espaço de tempo retomarmos a condição de auto-suficiência..  Uma das primeiras medidas é desarticular este danoso cartel de moinhos.  Ninguém pode estar acima da lei.

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