A agricultura brasileira enfrenta um momento difícil, de descapitalização e endividamento. Na verdade, o setor vem sustentando o Plano Real. A análise econômica das sucessivas safras de grãos comprova essa triste realidade: de julho de 1994, quando o Plano Real foi implantado, até junho deste ano, a inflação subiu 318%, conforme o IGP-DI Fundação Getúlio Vargas, enquanto os preços agrícolas ficaram muito abaixo desse índice. A variação nominal dos preços foi de apenas 188,61% na soja, 169,09% no arroz, 159,13% no trigo, 110,6% no milho e 104,58% no feijão. Os números explicam porque a agricultura brasileira está nessa situação, mesmo em tempos de safra cheia como foi na última temporada.
Para piorar, o valor do adubo no mesmo período subiu 304% e o do óleo diesel 421%. Ambos os produtos estão entre os principais na formação do custo de produção da lavoura. Outro fator que influencia negativamente é o dólar, que desde 1994 teve variação nominal de apenas 99,35%, prejudicando as exportações. A crise internacional de 2008 também teve sua parcela de influência na atual conjuntura do mercado agrícola gaúcho e brasileiro.
Nos últimos 12 meses os preços de arroz, feijão, milho, soja, trigo, boi gordo e leite caíram. E infelizmente parece não haver perspectivas de mudanças neste quadro no curto prazo, o que aumenta a preocupação dos agricultores que têm que pagar o custeio neste mês e precisam comprar os insumos para a próxima safra.
Para mudar esse cenário, é necessário aperfeiçoar os mecanismos de regulação e intervenção no mercado agrícola, para garantir renda mínima no campo em momentos de ciclo de preços baixos como o atual. Até porque o Brasil não pratica subsídios agrícolas como outros países, que ainda impõem barreiras para proteger a produção nacional. Ainda assim, conseguimos ser competitivos. Portanto, está na hora de os agricultores brasileiros também se beneficiarem da estabilização e do crescimento econômico possibilitados pelo Plano Real.
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